Páginas

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Referência:
Article: Developing Computational Thinking in Compulsory Education: Implications for policy and practice.
Authors: Stefania Bocconi, Augusto Chioccariello, Giuliana Dettori, Anusca Ferrari, Katja Engelhardt
European Commission, Joint Research Centre

Por: Fábio Correia de Rezende

RESENHA DO CAPÍTULO 03 - ENTENDENDO O RACIOCÍNIO COMPUTACIONAL

É notório saber sobre a utilização dos recursos e equipamentos tecnológicos. Seja em casa, no trabalho, na rua, no lazer, na escola. Praticamente, em vários lugares e momentos as pessoas utilizam variados recursos e equipamentos tecnológicos para se comunicar, trabalhar, comprar, vender, pesquisar, estudar. São muitas as atividades que podem ser enumeradas nesse contexto.
Com a utilização dos vários recursos e equipamentos tecnológicos, o debate em torno deles no campo educacional vem ganhando destaque. Ressalta-se na educação, porque acredita-se que é no ambiente escolar onde as pessoas podem adquirir competências e desenvolver habilidades. E uma delas vem ganhando destaque dentro das literatura científica – o Raciocínio Computacional. A escola pode contribuir para o desenvolvimento dessa habilidade.
            Foi em 2006, quando Jeannette Wing, publicou um artigo e discorreu sobre o raciocínio computacional. Segundo ela, "O pensamento computacional envolve a resolução de problemas, a concepção de sistemas e a compreensão do comportamento humano, baseado nos conceitos fundamentais da Ciência da Computação. Pensamento computacional inclui uma gama de ferramentas mentais que refletem a amplitude do campo da ciência da computação." Em 2011, ela reformulou o conceito, sendo: “O pensamento computacional é o processo de pensamento envolvendo formulação de problemas de modo que as soluções sejam apresentadas de uma forma efetivamente realizada por um agente de processo de informação”.
      O primeiro artigo de Wing influenciou muitos pesquisadores na academia, educação, indústria e formadores políticos num cenário internacional. E em 2010, o National Research Council (NRC) - Conselho Nacional de Pesquisas Americana organizou um debate sobre o tema raciocínio computacional e evidenciou-se a falta de consenso e definições básicas entre os pesquisadores sobre o raciocínio computacional. Só para destacar, foi a partir desse debate que em 2011 Wing reformulou o conceito dela sobre o assunto abordado.
Após o NRC muitos autores publicaram seus estudos e pesquisas sobre o raciocínio computacional. Em muitos contextos o conceito é similar. Em outros, se complementam e evidenciam sobre a veracidade das definições. Como exemplo, temos: "Representa uma atitude universalmente aplicável e conjunto de habilidades que todos, não apenas cientistas da computação, estariam ansiosos para aprender e usar. E, o raciocínio computacional é independente.
O raciocínio computacional não depende da tecnologia. É uma forma específica de resolver problemas. As soluções dos problemas podem ser realizadas por um humano e projetadas para um computador e usadas por ambos.
A The Computer Science Teachers Association and the International Society for Technology in Education (CSTA & ISTE, 2009), desenvolveu uma definição operacional: O Pensamento Computacional (TC) é um processo de resolução de problemas que inclui (mas não se limita a) as seguintes características:
 • Formulação de problemas de uma forma que nos permita usar um computador e outras ferramentas para resolvê-los;
• Organização lógica e análise de dados.
 • Representação de dados através de abstrações, como modelos e simulações; • Automatizar soluções através do pensamento algorítmico (uma série de passos ordenados);
 • Identificar, analisar e implementar possíveis soluções com o objetivo de alcançar a combinação mais eficiente e eficaz de etapas e recursos;
• Generalizar e transferir este processo de resolução de problemas para uma grande variedade de problemas.
      Em 2012, Definição da Royal Society  em 2012. "O pensamento computacional é o processo de reconhecer os aspectos da computação no mundo que nos rodeia e aplicar ferramentas e técnicas da Ciência da Computação para entender e raciocinar os sistemas e processos naturais e artificiais".
Em agosto de 2016, a CSTA divulgou os Padrões de Ciência da Computação do CSTA K-12. Esta atualização aos padrões CSTA existentes refere-se às definições de Wing's (2011) , e enfatiza os aspectos de resolução de problemas, bem como abstração, automação e análise como elementos distintivos do raciocínio computacional, assim: "Acreditamos que o pensamento computacional é uma metodologia de resolução de problemas que expande o domínio da informática em todas as disciplinas, proporcionando um meio distinto de analisar e desenvolver soluções para problemas que podem ser resolvidos computacionalmente. Com foco na abstração, automação e análise, o raciocínio computacional é um elemento central da disciplina mais ampla da ciência da computação”.
Com os estudos publicados a partir de Wing e demais autores, há uma tendência a acreditar que o raciocínio computacional contribui para os alunos - jovens, crianças e adolescentes – a pensarem de maneira diferente enquanto estão aprendendo, na escola, a resolver problemas do cotidiano a partir de uma outra perspectiva além da já existente no meio educacional.
            Pesquisadores, como Kolodner sugere que o conjunto de habilidades do raciocínio computacional pode ser utilizadas nas disciplinas curriculares da educação básica. Já para Jan Lepeltak, o raciocínio computacional pode ser conectado com o ensino e aprendizagem da linguagem, ou seja, saber falar com e sobre a tecnologia da informação.
As habilidades estudadas pelos pesquisadores, desde 2006, são: abstração, pensamento algoritmo, automação, decomposição, depuração e generalização.





terça-feira, 1 de novembro de 2016

A formação da identidade de professores e alunos mediante a utilização da rede social Facebook

A formação da identidade de professores e alunos mediante a utilização da rede social Facebook

Fabio Correia Rezende, Cleide Pereira dos Anjos

Resumo


Este artigo aborda uma pesquisa sobre a rede social Facebook a partir dos Estudos Culturais, voltados para a Identidade e a relação dessa plataforma na construção da subjetividade, percebendo como essa rede social tem afetado na vida das pessoas e sob alguma forma modificando as identidades. A rede social Facebook, foi escolhida porque é uma rede de acesso gratuita e também pela enorme quantidades de usuários, existentes atualmente seja no Brasil quanto no mundo. A investigação foi realizada através de questionários aos professores voltadas para a questão da Identidade, Ciberespaço, Subjetividade na perspectiva da utilização na rede social Facebook. A pesquisa revelou o quanto as redes sociais, internet, tem contribuído para a construção e desconstrução da identidade.

Palavras-chave: Facebook. Redes sociais. Ciberespaço. Identidade. Subjetividade.



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Avaliação de Artigo Científico


Este trabalho foi realizado na disciplina de Fundamento da Metodologia da Pesquisa Científica, no curso de mestrado em Ciência da Computação - UFBA, cujo objetivo foi avaliar um artigo científico.


PONTES, Adéle Malta. et al. Estudo do Impacto do Design e das Formas de Uso sobre a Recuperação de Informações em Fóruns de Discussão Online. VI Simpósio sobre Fatores Humanos em Sistemas Computacionais. Mediando e Transformando o Cotidiano, UFPR, CEIHC—SBC. p. 69-80. Curitiba, 17 a 20 de outubro de 2004.

O artigo intitulado “Estudo do Impacto do Design e das Formas de Uso sobre a Recuperação de Informações em Fóruns de Discussão Online” aborda o papel do designer na elaboração de projetos para fóruns de discussão online. As decisões do designer durante a construção do projeto pode ou não contribuir para que os objetivos de um fórum sejam atingidos integralmente ou parcialmente. O nível de conhecimento e experiência do designer é importante para elaborar uma ferramenta que atenda as necessidade do público que irá utilizá-la.
O artigo ressalta se as ferramentas corroboram para facilitar aos usuários a recuperação de informações, porque o fórum é utilizado de forma assíncrona, ou seja, o usuário posta a atividade e em qualquer momento, outro usuário lerá as postagens e seguirá uma linearidade, e sistematicidade estabelecida pelo mediador do fórum. Portanto, as ferramentas construídas pelo designer devem contribuir para os usuários recuperarem as informações de forma eficiente no processo de debate, conforme estabelecido no fórum. E se o usuário ignorar ou burlar as ferramentas, os objetivos da discussão talvez não serão alcançados, assim impactando negativamente no processo de construção de conhecimentos sobre o determinado tema.
Analisou-se no artigo os seguintes pontos abaixo. Para cada ponto inferiu-se um nota de 0 (zero) a 4 (quatro), onde 0 é ruim, 1 é deficiente, 2 é regular, 3 é bom e 4 é ótimo. Através de uma aritmética simples, atribuiu-se uma nota.
O primeiro tópico analisado foi sobre a problemática.  O artigo não especifica claramente, é preciso realizar a leitura parcialmente do artigo para inferir sobre ela. Pelo título é possível realizar algumas abduções, mas não são suficientes para ter clareza. Assim, a problemática do assunto no artigo está associada aos alunos de graduações de uma universidade pública que utilizam em algumas aulas, fóruns de discussão online. E se essas discussões, realmente favorecem a aprendizagem sobre a temática discutida e como são utilizadas as opções de ferramentas proporcionadas aos usuários, ou seja, o usuário sabe utilizá-la? E se sabe, ele a usa? Assim, espera-se que os alunos se apropriem de todo o design para recuperar as informações e aprender algo sobre o tema discutido. Atribuiu-se média 3.
O segundo ponto está associado a organização, apresentação e clareza do texto. Atribuiu-se média 3. O artigo encontra-se organizado para o padrão exigido de acordo com o gênero textual. Inicia-se com o resumo – português e inglês. É observável no resumo a contemplação da contextualização embora muito fragmentada pois só informam que o estudo foi realizado em fórum de discussão online. Há uma ausência de GAP, ou seja, não informam sobre as lacunas em que a pesquisa pode contribuir. As informações sobre o GAP são inferidas pelo leitor. Deixam claro a proposta do artigo que é investigar como os usuários se apropriam das ferramentas disponíveis no design em fóruns online. A metodologia é um estudo de caso. A informação é nítida e clara. Pauta-se uma informação vaga sobre os resultados. Apenas dizem que ocorre negligência para a utilização das ferramentas por parte dos usuários, e essa acarreta impacto negativo sobre a recuperação de informações. Não deixam claro qual é o impacto negativo. Um ponto a qual os autores não mencionam é sobre a conclusão. O leitor só perceberá informações sobre as conclusões no final do artigo
Após a análise acima, o texto segue com a introdução. Os autores apresentam as bases teóricas. Citam a Engenharia Semiótica e a análise de conversação com base na linguística. Trazem nomes de autores como o da Clarisse de Souza e de Othon Garcia. Poderia ter mais autores para sustentar a base teórica. Em seguida fazem a contextualização da problemática e relatam sobre o problema. No entanto, para compreender o problema o leitor deve inferir, pois não está claro no texto. Há no texto uma abordagem na engenharia semiótica em contexto de groupware. Citam as ferramentas utilizadas no estudo de caso. Explicam o procedimento para a escolha dos participantes, mas não deixam claro os motivos da escolha. Trouxeram exemplos do fórum de discussão das duas ferramentas. Interessante que a análise pautou-se sobre cinco pontos. Cada ponto foi analisado com base na engenharia semiótica e na análise de conversação.
O terceiro tópico analisado está relacionado a contribuição e relevância cientifica abordada no artigo. Atribuiu-se nota 3. Os fóruns de discussão online são bastantes utilizados na internet e nos ambientes virtuais de aprendizagem pelas universidade públicas ou privadas e por órgãos que atuam no campo educacional. Portanto acredita-se que a relevância e contribuição científica do artigo ofereceu informações para os designers projetarem ferramentas de discussão online mais estruturadas. No entanto, não citam exemplos como podem ser as ferramentas para serem mais estruturadas.
Na metodologia, atribuiu-se média 3. Optaram em utilizar a abordagem metodológica de estudo de caso. Os objetos foram duas ferramentas. Ferramenta A: Espaço Conversação – EC. Ferramenta B: Espaço Decisão – ED. A ferramenta A é considerada fracamente estruturada e a B é fortemente estruturada com base no design, mas não apontaram argumentos justificando a classificação em fortemente ou fracamente estruturadas. Escolheram os participantes dos cursos de sistema de informação, ciência da computação, engenharia da computação para realizarem por três semanas uma discussão sistematizada no fórum sobre o tema Acessibilidade. O grupo utilizou a ferramenta A e outro a B. assim, coletaram os dados com base nos textos digitados pelos estudantes e analisaram as informações a partir da utilização das ferramentas sobre a recuperação das informações disponíveis em cada fórum.
No tópico Resultados, atribuiu-se nota 2. No artigo os autores informam os seguintes resultados “Nossos resultados mostram que os usuários podem burlar estruturas propostas e, com isto, comprometer o próprio propósito do emprego de tais estruturas. Ou seja, na medida em que burlam estas estruturas e apresentam informação específica num local desapropriado pela sistemática organizada no fórum, o usuário para executar a recuperação de informação computacionalmente eficiente não consegue porque não seguiu a sistematização no design”.  Porém não citam os motivos as quais levaram os alunos a burlarem as estruturas das ferramentas.  Faltou apontarem os resultados sobre a negligencia dos usuários sobre as ferramentas.
Na Fundamentação teórica, atribuiu-se nota 2. Houve pouca exploração sobre os conceitos teóricos e a relação com a estrutura do artigo, ou seja, os autores deram mais importância em relatar os procedimentos. Então os argumentos relacionados com a teoria foram “esquecidos”.  
Portanto, com base no pontos analisados o artigo obteve a média geral 3,2 classificado como Bom.


domingo, 23 de outubro de 2016

Plágio

Esta postagem refere-se a duas questões colocada pelo professor Ecivaldo Matos - UFBA, sobre a discussão de Plágio no ambiente acadêmico a qual ocorreu na disciplina de Fundamentos da Pesquisa em Ciência da Computação em outubro de 2016.
Que ações cotidianas no ambiente acadêmico podem ser configuradas (ou entendidas) como plágio? Justifique e ilustre sua resposta.
Primeiro, segundo o Dicionário Online de Português – DICIO, a palavra plágio vem do grego plágios.a.on cujo significado é “Ação ou efeito de plagiar”. Ainda no sentido jurídico, significa “Ação de apresentar alguma coisa (trabalho, livro, teoria etc.) como se esta fosse de sua própria autoria, embora tenha sido criada e/ou desenvolvida por outrem; plagiato”.  
Pela legislação brasileira a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES, 2011) recomenda, com base em orientações do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que as instituições de ensino públicas e privadas brasileiras adotem políticas de conscientização e informação sobre a propriedade intelectual, adotando procedimentos específicos que visem coibir a prática do plágio quando da redação de teses, monografias, artigos e outros textos por parte de alunos e outros membros de suas comunidades.
O plágio é “a utilização de ideias ou formulações verbais, orais ou escritas, de outrem sem dar-lhe por elas, expressa e claramente, o devido crédito, de modo a gerar razoavelmente a percepção de que sejam ideias ou formulações de autoria própria”. (FAPESP, 2011)
A partir da compreensão sobre o plágio, como se configura a prática nos ambientes acadêmicos? Acredita-se que são inúmeros motivos, entre os quais, empiricamente, estão a falta de tempo para leituras, estudos e produções acadêmicas mais sistematizadas e com um nível de qualidade satisfatório. Muitas universidade não tem como monitorar a produção acadêmica de forma total. Os orientadores, por circunstancias políticas internas, orientam muitos alunos, além de sua capacidade física e estrutural. A falta de experiência dos alunos e as falhas na orientação podem contribuir para o plágio. Pelos motivos citados, a prática do plagio acaba sendo uma ação cotidiana no ambiente acadêmico.

Que ações você acredita que o Programa de Pós-graduação e/ou seu(sua) orientador(a) poderiam tomar para evitar ações como essas?

O Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação - PGCOMP (a qual estou vinculado como aluno) poderia adotar as seguintes ações:
Priorizar discussões sobre a temática do Plágio nas disciplinas de metodologia cientifica (já ocorrendo). Promover seminários nessa temática e sobre ética profissional em atividades de ciência e tecnologia
Os orientadores terem a quantidade de orientandos cabíveis para priorizar orientações com qualidades, pois os alunos e professores terão condições de buscarem ferramentas para descobrirem se há plágio na produção do aluno porque há casos que a falta de experiência do aluno contribui para a prática do plágio.
Disciplinas específicas para produção de artigos científicos.


Referencias

CAPES. Orientações CAPES: combate ao plágio. Disponível em: https://www.capes.gov.br/images/stories/download/diversos/OrientacoesCapes_CombateAoPlagio.pdf. Acesso em: 23 out 2016.

FAPESP. Código de Boas Práticas Científicas. (Versão de 16/09/2011). Disponível em: <http://www.fapesp.br/boaspraticas/codigo_050911.pdf>. Acesso em: 23 out 2016.

DICIO, Dicionário Online de Português. Disponível em: https://www.dicio.com.br/plagio/. Acesso em 23 out 2016.






quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Síntese: ACHUGAR, Hugo. Planetas sem boca: escritos efêmeros sobre arte, cultura e literatura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2006. p.9-26.

Fábio Correia de Rezende - Professor na educação básica, formado em Letras e Licenciatura em Computação, Mestre em Ciência da Computação


No primeiro capítulo do livro de Achugar (2006), cujo título é “Espaços incertos, efêmeros – Reflexões de um planeta sem boca”, o autor começa com uma epígrafe de Eneida Maria de Souza falando sobre a condição fronteiriça do intelectual, o que confirma a indeterminação dos saberes, considerando a implicação da permuta e viagens por espaços incertos e, muitas vezes, efêmeros.
Achugar no discurso do texto faz uma afirmação interessante que leva-nos, estudantes de graduação e pós-graduação a pensar sobre o ensino, dizendo que é impossível haver leitura, ensino verdadeiro, ou seja, a permutação dos espaços e tempos percebe-se a mudança no ensino. Outrora o que era antes, hoje, porém, não é ou foi modificado.
Um ponto relevante no texto está na não aceitação do padrão de arte, cultura e literatura. Os modelos eurocêntricos devem ser questionados, aceitos e respeitados. A valorização do local. É nesse ponto que Hugo Achugar deseja que façamos debates e aprimorarmos o nosso caráter consciente nessas discussões num padrão intelectual.
A afirmação do local e o confronto com o padrão que se coloca como verdadeiro está no fato dos territórios serem incertos, territórios estes culturais, intelectual e artístico.
Achugar nos mostra e faz uma crítica sobre as teorias elencadas nos últimos tempos, muitas delas realizadas somente em função do marketing publicitário, ou seja, as mídias impõe e os críticos, pesquisadores e estudiosos desejam entender o movimento devido a tal aceitação social imposta pelas mídias. Como por exemplo, consumismo, tradição, família, propriedade, conservadorismo.
No texto, o autor refere-se a dois movimentos que são considerados importantes para entendermos o processo de movimentação social na América Latina e o modo como a sociedade reage e se comporta quando o poder comunicativo da massa deseja impor a um povo que aja de tal forma visando objetivos amplamente ideológicos.
O primeiro movimento refere-se à saúde pública e ao acontecimento político e midiático. Na saúde cita o caso da poliomielite, onde no Uruguai milhares de pessoas morreram por causa da doença deixando a população reclusa em suas casas e vendo sempre no “Outro” a possibilidade de culpa e de transmissão da doença e consequentemente a morte. Na política temos as indústrias. Uma sociedade estagnada no crescimento industrial e, no entanto a burguesia mostrando um país em pleno desenvolvimento.
Um ponto chave do autor é o uso da metáfora. Ele usa a poliomielite como figura de linguagem para mostrar a exclusão dos povos latino-americanos na visão do “outro”.
O segundo movimento, mostrado por Achugar, é o quadro (imagem) de Juan Boris Gurewitsch. Mostrando uma sociedade industrial (Uruguai), em pleno crescimento, moderna, produtiva e altamente rica. Aqui, novamente ele usa a metáfora para mostrar, na realidade, um povo opressivo, contaminado, ou seja, pobre. A temática do quadro tem um valor de produção para a realidade de primeiro mundo, no entanto, a realidade local não é nada igual ao quadro, é um país sem indústrias, sem desenvolvimento.
O que realmente Achugar deseja mostrar através das duas metáforas é a produção de valor a partir da periferia, um lugar de enunciação, concreto, verdadeiro, teórico, desejado.
E ao final do texto, percebe-se a necessidade, nos “planetas sem boca” a construção da intelectualidade a partir dos pensadores da periferia/imagem na América Latina.


Síntese: SANTOS, Boaventura de Sousa. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.

Fábio Correia de Rezende - Professor na educação básica, formado em Letras e Licenciatura em Computação, Mestre em Ciência da Computação

O texto “Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes”, de Boaventura remete-nos a teoria dos Sistemas Visíveis e Invisíveis. Ele traça uma linha imaginária radical – divisão do universo para entendermos este e o outro lado da linha. Este lado da linha é o certo, verdadeiro, real, epistemológico, o legal. O outro lado da linha é o errado, falto, irreal, o ilegal e o não epistemológico.
Uma das características principais entre os dois lados é que não existe dupla presença entre os lados. A modernidade é um paradigma fundado na tensão entre a regulação e emancipação social.
Nas sociedades metropolitanas, Boaventura aplica a dicotomia regulação/emancipação nas sociedades coloniais aplica-se a apropriação/violência.
Baseado nessas teorias de Boaventura, a dicotomia entre regulação/emancipação, apropriação/violência faz-se importante para a linha de pesquisa a qual pretendo desenvolver – Currículo, identidade e diferença cultural. Pensando nessa vertente, analisam-se as seguintes questões. Qual o poder de regular, impor, emancipar, fornecer modelos estabelecidos no currículo a ser ensinado e imposto à sociedade estudantil – acadêmica? Esse currículo, como deve ser construído? Acredita-se que esse currículo deve ser construído a partir das identidades e diferenças culturais.
Pensar a partir das identidades e diferenças culturais na construção do currículo é importante para discutirmos o processo de apropriação/violência. Entendermos até que ponto, o currículo imposto e estabelecido pelo modelo eurocêntrico veio apropriando-se de forma violenta e impondo modelos.
Portanto, o texto lido, discutido é fundamental para estabelecer a relação Currículo, identidade e diferença cultural, pois o autor permeia durante todo o discurso mostrando a importância das identidades, das culturas e relaciono-as com a construção do currículo para que de fato não exista apropriação de forma violenta, mas exista o discurso do Outro que está do outro lado da linha que tenha voz e vez, segundo Hugo Achugar em “Reflexões de um planeta sem boca” a voz e a vez dos marginalizados necessita ser ouvida.

Uma comunidade indígena pode ser "impactada" pelas tecnologias?

Fábio Correia de Rezende - Professor na educação básica, formado em Letras e Licenciatura em Computação, Mestre em Ciência da Computação

As tecnologias, hoje, em qualquer parte do “mundo”, invadiram nossas casas, vidas, escolas, igrejas, universidade entre outros. Elas fazem parte de nossas vidas numa proporção diária, a qual já nos tornamos dependentes em muitas situações, como por exemplo, enviar e receber mensagens eletrônicas de modo sincrônico e diacrônico cujo objetivo é estabelecer uma comunicação rápida. Dessa maneira, os índios também foram atraídos por essas “encantarias” dos aparatos tecnológicos tanto dentro de suas comunidades quanto numa perspectiva urbana, rompendo fronteiras a qual o índio é visto pelos não-branco como sujeitos meramente inferiores e não participativos e utilitários desse nicho tecnológico.
            Assim, hoje, pode-se observar numa aldeia a utilização de telefone celular, TV’s, smartophone, Iphone, laptops, desktop, câmeras digitais, filmadoras, DVD’s, Home theater, entre outros. Desse modo, as comunidades indígenas passaram a fazer parte das estáticas dos grupos de famílias a qual utilizam a internet, diariamente, por exemplo. Nessa perspectiva, pode-se perceber a presença dos indígenas noutros espaços, contribuindo para a disseminação da Identidade Cultural, onde outrora era meramente um espaço reservado para os brancos elitizados.
            A utilização dos equipamentos / recursos tecnológicos de alguma forma pode contribuir, também para transformar os preconceitos da realidade social das comunidades indígenas e diminuir os espaços entre as diferenças do Outro, ou seja a relação do indígena com o não-índio. De acordo com Belloni (1998), deve-se tomar cuidados na orientação quanto ao uso educativo das tecnologias, pois o contato com elas infere uma visão local e global, assim os espaços, existentes mantendo as comunidades indígenas distantes dos centros urbanos pode se tornar um espaço pequeno, ou quem sabe até desaparecer.
            Existem inúmeras razões que levam os alunos, professores, comunidade em geral a utilizar os equipamentos tecnológicos. Valente (1998), cita alguns motivos, por exemplo: o modismo, o computador já faz parte da vida dos brasileiros, é um incentivo nas atividades didática pedagógica, porém ele faz um alerta que é preciso saber utilizar, pois ações não planejadas trarão pouco ou nenhum benefício da vida intelectual do estudante. E se tratando de uma comunidade indígena, a preocupação deve ser redobrada quanto ao uso didático e paradidáticos dos equipamentos. Nessa foco, Almeida (2002), reforça que o uso deve ser acompanhado sob uma reflexão crítica sobre como e porque utilizar tais recursos, seja no ensino urbano, rural ou dentro de uma comunidade indígena.
            Assim, como a Identidade Cultural de uma comunidade indígena pode ser impactada através dessa “parafernália” tecnológica? Ter um olhar histórico na comunicação e antropológico na vida dessa comunidade, conhecer a relação entre Comunicação, Cultura, Identidade, como os espaços dessas minorias étnicas estão sendo contempladas dentro da grande teia mundial – a internet, essas estratégias orquestradas pela Sociedade da Informação tem concebido visualização dentro do território digital indígena ou como citou Valente, o uso é apenas por modismo. São esses e outros pontos que esse trabalho pretende desenvolver.



De acordo com Silva (2008 p.14) “espera-se que todos os indivíduos sejam devidamente preparados para a compreensão e o manejo de todas as linguagens que servem para dinamizar ou fazer circular a cultura”.


Segundo Galli (2010 p. 148) a internet tem se tornado um dos meios de difusão de mensagens mais acessíveis e, desse modo, sua linguagem também se propagou e se tornou globalizada.




ALMEIDA, M. E. Formação de Professores em Ambiente Digital: uma experiência
interdisciplinar. Porto Alegre: UFRGS, 2002. Disponível em
<http://seer.ufrgs.br/InfEducTeoriaPratica/article/view/8174> Acesso em 10 fev. 2014.

BELLONI, M. L. . Tecnologia e Formação de Professores: Rumo a uma Pedagogia Pós
Moderna. Educação e Sociedade, Campinas, v. 65, n.65, p. 125-139, 1998.

GALLI, Fernanda Correa Silveira. Linguagem da Internet: um meio de comunicação global. Hipertextos e gêneros textuais: novas formas de construção de sentido. Luiz Antonio Marcushi, Antonio Carlos Xavier, (orgs.). 3 ed. São Paulo: Cortez, 2010.

VALENTE, J.A. Computadores e Conhecimento: repensando a educação. 2. ed. Campinas: NIED/UNICAMP Gráfica central UNICAMP, 1998.


SILVA, Ezequiel Theodoro da. (coord.) Leitura no mundo virtual: alguns problemas. A leitura nos oceanos da internet. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2008.