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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

História e Literatura: uma linha tênue
 Fábio Correia de Rezende*
*Professor na educação básica. Formação em Letras e Licenciatura em Computação. Mestre em Ciência da Computação.
Pensar, analisar e interpretara a história como um conhecimento que é sempre representado como algo do passado, cuja fonte documental pode produzir esse conhecimento a qual se procura estabelecer uma relação estreita com a literatura através de diversos tipos de textos para pensar sua escrita, linguagem e leitura. Para Chatier (2009), a história cultural foca dentro de um texto social, os “mecanismos de produção dos objetos culturais”, entendido num sentido amplo, não apenas como obra literária, mas como mecanismos de produção e objeto cultural, recheado de intencionalidade.
Hoje, é evidente que a relação da história com a literatura se estreitam. Essas ligações, principalmente na narrativa história e sua analogia com os gêneros literários revitaliza-se e sua aproximação com as técnicas literárias revolucionam as formas acadêmicas convencionais. (HOBSBAWM, 1998).
Pode-se perceber esse estreitamento e contexto social nos contos do literato André Costa Nunes, em a Batalha do Riozinho do Anfrísio (SOUZA, 2008). Como um bom historiado através de seu olhar, deve levantar hipóteses, questionar e entender e compreender os contextos: social, econômico, cultural a qual o objeto estudado encontra-se. É vital, no conto citado, a afirmação da identidade, firmação de fronteiras e territórios, (re)construção, desconstrução. A mistura de crenças, valores, culturas, gestos, modos. Na literatura, o escritor, através da fontes documentais, transportará todo o conteúdo suscitado numa linguagem poética, prosa, narrativa sendo a escolha da tipologia e do gênero textual  crucial para que esse futuro texto, seja de fato um texto literário, a qual partiu de uma pesquisa de um historiador.
Assim, vimos que estreitos são os laços  entre história e literatura, visto que toda forma de conhecimento contém elementos de imaginação, ficção e realidade. Assim, vê-se que a literatura pode ser considerada como uma leitora privilegiada dos acontecimentos históricos, e a História, enquanto ciência, por sua vez, poderá valer da literatura para dar respostas a fatos históricos, que nem mesmo ela própria conseguiu dar. (PIMENTEL, p.09,2009).




Referência

CHARTIER, Roger. A história ou a leitura do tempo. Belo Horizonte: Autêntica,
2009.

HOBSBAWM, Eric. Sobre história. Sao Paulo: Cia. das Letras, 1998.


PIMENTEL, Telmo de Maia.  A ESTREITA RELAÇÃO QUE HÁ ENTRE HISTÓRIA E LITERATURA – CONSIDERAÇÕES SOBRE O ROMANCE HISTÓRICO “OS SERTÕES”. Revista Interdisciplinar. Disponível em: http://www.univar.edu.br/revista/downloads/relacao.pdf. Acesso em 07 jan 2015.
Projeto apresentado no curso de especialização em ABORDAGENS CULTURALISTAS: SABERES, IDENTIDADES E DIFERENÇA CULTURAL NA /DA AMAZÔNIA na disciplina de Ecolinguística.


TEMA: Linguagens, culturas e identidades na comunidade suruí/aikewára

TÍTULO: Reflexões sobre os impactos dos recursos tecnológicos na comunidade escolar dos índios suruí/aikewára

HIPÓTESE: Quais são os recursos tecnológicos utilizados pela comunidade escolar indígena suruí/aikewára e os impactos na vida dessa comunidade em relação a cultura e as tradições?

OBJETIVO GERAL: Refletir sobre os impactos do uso de recursos tecnológicos pelos alunos na comunidade indígena Suruí – Aikewára dentro e fora do ambiente escolar.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Levantar dados estáticos sobre o quantitativo de alunos e quais os equipamentos tecnológicos estão presentes na comunidade indígena.

Analisar a convivência e a relação entre as tradições de suas origens e o uso dos equipamentos tecnológicos.

Investigar como se dá a relação dos equipamentos tecnológicos e quais redes sociais são utilizadas e de que forma.

Propor o uso das tecnologias na comunidade escolar como atividade educacional voltada para a aprendizado básico em informática.

Valorizar através das redes sociais as crenças, costumes, danças, ou seja, a Cultura com foco de divulgação e afirmação da Identidade da comunidade Suruí – Aikewára.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O referencial teórico está pautado nos estudos culturais a antropológicos voltados para a comunidade indígena, com foco nas contribuições de autores que já realizaram pesquisas em outras aldeias indígenas sobre os impactos da Tecnologia da Informação e Comunicação dentro e fora da comunidade escolar.

METODOLOGIA: O projeto será desenvolvido através de pesquisas de campo, entrevistas audiovisuais e questionário cuja finalidade será a análise de dados através da abordagem quantitativa e qualitativa. 

REFERÊNCIAS:
BHABHA, Homi K. O local da cultura; Tradução de Myriam Ávila, Eliana Lourenço de Lima Reis, Gláucia Renate Gonçalves. – 2. ed.- Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.

HALL. Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva, Guaciara Lopes Louro – 11. ed., 1. reimp. - Rio de Janeiro: DP&A, 2011.

MAHER, T. de J. M. Políticas linguísticas e Políticas de identidade: currículo e representações de professores indígenas na Amazônia Ocidental Brasileira. Curriculo sem fronteiras, volume 10 n.1, pp. 33-48, jan/jun 2010 ISSN 1645-1387.

VALENTE, J.A. Computadores e Conhecimento: repensando a educação. 2. ed. Campinas: NIED/UNICAMP Gráfica central UNICAMP, 1998.


SÍNTESE: DAS TEORIAS TRADICIONAIS ÀS TEORIAS CRÍTICAS.

FÁBIO CORREIA DE REZENDE*
ALDA SOUSA MATOS*
*Alunos do curso de especialização: ABORDAGENS CULTURALISTAS: SABERES, IDENTIDADES E DIFERENÇA CULTURAL NA /DA AMAZÔNIA na UNIFESSPA - PA

Começar este texto, me fez pensar em perguntas talvez “banais” ou clichês dentro do campo educacional, como por exemplo: O que é currículo? Qual a função dele? Contribui em quais aspectos? Fornece bases para o trabalho do professor em sala de aula? Modifica, para melhor a vida dos alunos? Segundo Silva (1996, p.23).
O currículo é um dos locais privilegiados onde se entrecruzam saber e poder, representação e domínio, discurso e regulação. É também no currículo que se condensam relações de poder que são cruciais para o processo de formação de subjetividades sociais. Em suma, currículo, poder e identidades sociais estão mutuamente implicados. O currículo corporifica relações sociais.
            Muito interessante e importante pensarmos um pouco sobre a história epistemológica do Currículo, como campo de pesquisa, debates e contribuição para educação. Em 1918, um autor norte americano chamado Bobbitt escreveu um livro considerado o marco do currículo. Apesar das ideias conservadoras voltadas para o sistema educacional americano, houve uma transformação radical do sistema educacional a tal ponto de comparar a escola como uma empresa comercial ou industrial no sistema de Entrada x Processamento x Saída. Bobbitt tem pode base às ideias de Frederick Taylor, “a educação deveria funcionar de acordo com os princípios da administração científica” (SILVA, 2013, p.23).
            Em 1902, Dewey, outro educador norte americano, preocupado com a construção da democracia que com o funcionamento da economia, lança um livro chamado “The child and curriculum”, onde ele achava importante levar em consideração, no planejamento curricular, os interesses e as experiências das crianças e jovens. (SILVA, 2013, p. 23). Pela visão de Bobbitt e Dewey, ambas muito diferenciadas, mesmo assim, tentando ou valorizando o ensino e aprendizagem dentro do campo educacional.
            O currículo deve contribuir com diversas formas possíveis dentro da educação. A partir das perspectivas dos autores citados, no Brasil, década de 60, começa a falar sobre currículo foco no pensador Paulo Freire. Por coincidência, também nesse mesmo período surgem livros, pesquisas, debates que colocavam em questionamento filosófico o pensamento estrutural da educação tradicional.
            A partir de então, pode-se perceber três modelos de currículos estruturados a partir das pesquisas e debates: modelo tecnocrático, progressista e humanista. O tecnocrático e o progressista destaca a abstração como algo inútil para a vida moderna e as atividades trabalhistas, as quais eram privilegiadas pelo currículo clássico, cuja avaliação se dava por tempo, agilidade e eficácia na realização das atividades. E para chegar nesses objetivos a metodologia ou a didática era posta através dos modelos de currículos orientados por Bobbitt e Tyler.
            Mediante a explanação que venho discorrendo, coloco os últimos pontos a cerca do currículo, como algo que deve permear as atividades do professor, da escola, ou seja, do sistema educacional, capaz de organizar contribuindo para um trabalho de qualidade. O currículo deve ser planejado de acordo com a realidade local com uma visão global e eficiente para contribuir e atingir os objetivos no desenvolvimento social, cognitivo do público, os alunos.



REFERÊNCIAS

SILVA, Tomaz Tadeu da. Identidades terminais: as transformações na política da
pedagogia e na pedagogia da política. Petrópolis: Vozes, 1996.

___________ Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 3 ed. 4, reimp. Belo Horizonte, Autêntica Editora, 2013.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Signo, Abdução, Indução, Dedução, Semântica, Sintaxe e Pragmática

Universidade Federal da Bahia – UFBA
Instituto de Matemática e Estatística
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação – PGCOMP
MATE85 – Tópicos em Sistema de Informação e WEB I



Aluno: Fábio Correia de Rezende


A sociedade atual viveu, vive e viverá mudanças que atingem aspectos culturais, sociais, econômicos, religiosos, dentre outros numa relação associada aos avanços tecnológicos. Com a tecnologia atual e a futura, pode-se imaginar aonde o ser humano chegará ou aonde deseja chegar no avanço do conhecimento. É possível associar avanço tecnológico com o avanço da Ciência. Ambos caminham lado a lado.
O ato da busca pelo conhecimento se deu através de várias fases na história da humanidade. Por exemplo, no Renascimento, no Iluminismo, no Positivismo. E na Revolução Industrial (numa era mais moderna) a humanidade começou a romper fronteiras mais rapidamente, pois as necessidades instigam os homens a buscarem soluções para as situações problemas. E hoje, com a Internet literalmente na palma da mão, o acesso ao conhecimento tornou-se mais prático, dinâmico e rápido. Porém, ainda com muitas restrições ao nível mundial quantitativo de usuários.
De acordo com Otaviano Pereira em sua obra O que é teoria, há três tipos de Ciências: Ciências Formais – Lógica e Matemática; Ciências Empírico-formais – Física, Biologia, Química, etc; Ciência Hermenêuticas ou Interpretativas – as ciências humanas. Esse conjunto de ciências está alicerçado em torno de teorias. Todas elas possuem métodos e técnicas capazes de explicar sinteticamente através de atos abstrativos todo o conjunto de doutrinas a qual pertence cada uma. Toda teoria é composta pelas abordagens Epistemologia, Metodologia e Ontologia.
Para contribuir na construção deste texto, abordaremos sobre a Ciência da Computação e sua relação com abdução. Traremos o filósofo Charles Sander Peirce com a sua teoria dos signos. Estabeleceremos um paralelo da Semântica, Sintaxe e Pragmatismo. E uma breve explicação sobre classificação dos signos, juízo perceptivo. Tudo relacionado à ciência da computação.
A ciência da computação, segundo a Wikipédia é uma ciência que estuda as técnicas, metodologias e instrumentos computacionais, (...) baseadas no uso do processamento digital. Também abrange as técnicas de modelagem de dados e os protocolos de comunicação, além de princípios que abrangem outras especializações da área.
Muitas contribuições vem surgindo com o avanço da Ciência da Computação em diversas áreas, por exemplo, na educação muitas tecnologias são utilizadas para melhorar e aperfeiçoar a qualidade das metodologias em salas de aulas, através do uso do computador. Na educação a distância os Ambientes Virtuais simulam salas de aulas para o aluno estudar conforme suas necessidades. A adaptabilidade nos horários é um fator primordial para os alunos que buscam essa modalidade de ensino.  Na saúde, já existem robôs auxiliando médicos em diversos procedimentos cirúrgicos. A ciência da computação contribui de alguma forma na vida das pessoas seja diretamente ou indiretamente a qual na maioria das situações já é algo comum – “imperceptível”.
Agora, como podemos utilizar os aparatos tecnológicos de forma crítica, construtiva e não nos submetendo a sermos simplesmente usuários tecnicistas e passivos do rol tecnológico? Ao longo da história da humanidade, surgiram muitos pesquisadores, estudiosos que sempre buscaram entender o funcionamento da sociedade em aspectos sociais, econômicos, culturais e outros. Assim, focaremos no filósofo Charles Sander Peirce que contribui significativamente com suas pesquisas, atualmente para os estudos em diversas áreas na filosofia, comunicação, psicologia, medicina, informática, etc. A teoria criada por esse autor focada na ciência dos Signos através da Semiótica que falaremos mais adiante sobre esse assunto.
Peirce (1839 – 1914), formou-se em Química pela universidade de Harvard. Foi matemático, físico, astrônomo. É considerado o primeiro psicólogo experimental nos Estados Unidos. Desde sua infância, interessou-se por Lógica que foi o foco dos seus trabalhos teóricos além da Matemática e Filosofia. Foi fundador do Pragmatismo. Peirce dedicou os últimos 30 anos de sua vida a estudos sobre a Semiótica, produziu cerca de 80 mil manuscritos, sendo 12 mil publicados. Sua obra é estudada por muitos pesquisadores, incluindo brasileiros como Lúcia Santaella e Lauro Frederico Barbosa da Silveira a qual contribuem para o avanço do conhecimento no campo da Ciência da Computação.
A Semiótica é uma teoria estuda e desenvolvida também por Peirce, pois há outros pesquisadores que a estudam, porém enfoques diferenciados. É considerada a Ciência dos Signos. O termo Semiótica, segundo Santaella (2012) vem do grego, cuja raiz é “semeion” que quer dizer signo. Também pode ser interpretada como a ciência geral de todas as linguagens. Há três ramos na semiótica: Gramática, Lógica e Retórica (Metodêutica). A gramática é a relação das interpretações. A lógica é entendida como as verdades das representações e a retórica é a eficácia da semiose, um signo da origem a outro signo. Além desses três ramos, há três grandes domínios na semiótica: Sintaxe, Semântica e Pragmática. A sintaxe estuda as palavras enquanto concordância, a semântica expressa o sentido, interpretação das palavras. E a pragmática aborda uma estrutura lógica, ou seja, fazemos emissão de juízo a qual afirmamos ou negamos algo, considerações de ordem prática. (SANTAELLA, 2012).
Segundo Anderson (1997), o signo é “qualquer coisa que pode representar algo para alguém sob determinados aspectos ou capacidades”. De acordo com Isaac Epstein (199, p. 18), para Peirce o signo é “algo que, sob certo aspecto ou de algum modo, representa alguma coisa pra alguém”. Existem vários autores que explicam o significado de signo, porém não é trivial essa tarefa. Conceituar o signo é tão complexo porque o signo é uma entidade central e importante na e para a semiótica quanto os átomos em física, as células em biologia ou os números em matemática. (Epstein, p 16.).
Explanaremos uma rápida classificação dos signos na teoria de Peirce. Os signos mantem uma relação de um com o outro. Assim, temos o signo da relação com ele mesmo, a relação do signo com o objeto e a relação do signo com o interpretante. Não exploraremos detalhes sobre a classificação porque o foco desse texto está em outros aspectos da teoria peirceana, citada anteriormente. Veja abaixo uma tabela de forma sintética expondo a classificação dos signos.
Signo - Representante
Signo – Objeto
Signo - Interpretante
Qualissigno
Ícone
Rema
Sinsigno
Índice
Dicente
Legisigno
Símbolo
Argumento
Tabela 1. Classificação da relação sígnica de Peirce. Fonte: Santaella, 2012. Adaptado.
De forma bem sintética, essa classificação dos signos está enquadrada nas categorias elaboradas por Peirce. São elas: Primeiridade, Secundidade e Terceiridade. Na primeira coluna da tabela acima, o Qualissigno pode ser uma mera qualidade do signo, enquanto o sinsigno é o real, concreto, existente. E o legisigno é uma lei geral. Na coluna do meio, o ícone pode ser interpretado como objeto que possui certo traços, por exemplo, quadros, esquema, metáforas. O índice é uma relação direta, causal, real com o objeto, por exemplo fumaça, placas, etc. E o símbolo designa o objeto. Na relação do signo com o interpretante, o rema é predicado, desperta sensações, não capacitam para tomar decisões. O dicente por afirmar verdadeiramente ou falsamente. E o argumento é uma lei geral. Então, a tricotomia peirceana do signo é a relação do objeto - interpretante – representate. (Santaella, 2012).

ABDUÇÃO  
            Charles Sanders Peirce estudou a fundo os signos. Hoje, podemos reconhecer através de seus estudos o Raciocínio Abdutivo. A abdução é compreendida como um pensamento inicial de um processo lógico a qual parte da elaboração provisória de hipóteses que sejam ao menos o mínimo capazes de verificação e experimentação (MATOS, STRAFORINI, 2008).
            Para Peirce, o raciocínio abdutivo é a fonte das descobertas através da geração de hipóteses, ou seja o pensamento lógico. “A abdução para Peirce é como adivinhar no seu sentido epistemológico, o poder instintivo para geração de hipóteses buscando a solução para determinadas situações, sejam elas técnicas ou cognitivas”. (DENTZ, 2010)
            A abdução na ciência da computação pode proporcionar aos criadores e desenvolvedores de softwares ligações correlacionadas as necessidades da sociedade para que os softwares e hardwares sejam fáceis de manuseá-los e úteis em momentos específicos ou generalizados. A abdução “contribuirá para a definição de estratégias, métodos e mecanismos que visem na aprendizagem tecnológica, diante dos mais variados padrões e inovações de softwares” (MATOS, STRAFORINI, 2008).
            Frequentemente é inserido na sociedade um celular mais moderno, um computador com configurações em softwares mais modernos. Frente a essas novidades, a sociedade não precisar iniciar do zero para aprender a utilizar os novos equipamentos tecnológicos. A partir dos conhecimentos prévios, e o método abdutivo, inferimos os conhecimentos anteriores – hipóteses, as quais são testadas e assim novos conhecimentos irão surgindo ao passo que cada hipótese abdutiva seja validada ou refutada. Conforme Santaella (2008), “A abdução é um quase-raciocínio, instintivo, uma adivinhação altamente falível, mas é o único tipo de operação mental responsável por todos os nossos insights e descobertas”.

SEMÂNTICA, SINTAXE E PRAGMATISMO
            Como dito anteriormente, a semântica, sintaxe e pragmatismo são os três grandes domínios da Semiótica. Isso a partir de um ponto de vista mais tradicional que foi atribuído pelo filósofo Charles Morris em 1983. (LOPES-PERNA, et al, 2015).
            Entende-se a pragmática como um sequência de fenômenos a qual atribui significados das sentenças oriunda do falante. A pragmática é estabelecida a partir de dois pontos que são o relacionamento entre as frases e o contexto. No primeiro ponto o foco está apoiada na frase precedente, ou seja, para a construção de uma representação nova, dependerá sucessivamente da anterior. Ou seja, através de um signo será gerado outro signo. No segundo ponto, o contexto, é importante para que uma nova representação ocorra. Assim, novas representações vão surgindo e o universo se expande unindo as representações já existentes. (VIEIRA e STRUBE, 2002).
            Dessa forma, entendemos que a pragmática não é simplesmente analisar frases, sentenças isoladas. Necessita do contexto, analisar o discurso. A língua e seus vários modos de utilização, influência nessa análise para se tomar decisões. É nesse contexto que entra a ciência da computação. Para os usuários, desenvolvedores utilizarem e construírem softwares há necessidade do conhecimento da língua e suas diversas formas de utilizações e variações estabelecendo padrões a serem considerados em suas generalizações. Assim, de acordo com Levinson (1987), a pragmática está associada às outras áreas como por exemplo, linguísticas, fonologia, sintaxe e semântica.
            A semântica pode ser compreendia como o estudo das significações, no campo semiótica é imprescindível sua teoria já que cada signo remete a um objeto. A semântica tem como objetivo encontrar formas para representar o sentido das frases ou sentenças. Pensemos isso no contexto da ciência da computação. Como os programadores podem construir, desenvolver softwares capazes de dar sentidos claros, compreensíveis na linguagem de máquinas?  A linguagem, interfaces e outros componentes precisam fornecer uma linguagem clara, para a interação entre usuários – sistemas – máquinas sejam de forma semântica, ou seja, compreensível. Hoje, temos vários exemplos na Web 2.0, porém ainda precisa-se avançar bastante na linguagem de programação adaptada a linguagem humana.
            A sintaxe, segundo Araribóia (1998), pode ser definida como o estudo detalhado para juntar várias partes de um todo em posições adequadas. Ou seja, cada parte, detalhe é importante para a compreensão do todo. Na área da linguística as frases são classificadas de acordo com as categorias gramaticais, por exemplo, verbo, artigo, substantivo...portanto é importante na ciência da computação o designer precisa compreender claramente como se processa a interpretação da linguagem no momento da criação de softwares. As regras sintáticas elas são aprendidas naturalmente e sistematicamente. Por exemplo, ninguém aprendeu a falar “quero copo eu um”, ou seja, a gramática que internalizamos naturalmente nos mostra a lógica sintática “eu quero um copo”, e numa sociedade letrada, avançamos no conhecimento, produzindo assim a gramatica normativa. Então, ambas as gramáticas são importantes para os desenvolvedores de softwares.
            Assim, A função da análise sintática é diminuir a quantidade de componentes que a semântica pode analisar, reduzindo a complexidade do sistema, considerando que o processamento sintático utiliza menos recurso computacional do que o processamento semântico (SPECIA, 2000).
           
SIGNO E JUÍZO PERCEPTIVO

            Para Peirce, o processo perceptivo é marcadamente interpretativo e sujeito a falhas. (MARQUES, 2004). O que caracteriza a percepção é o senso de externalidade de que o percepto vem acompanhado. Perceber é se defrontar com algo. Em toda percepção, há um elemento de compulsão e insistência, uma insistência inteiramente irracional que corresponde à teimosia com que o percepto resiste na sua singularidade, compelindo-nos a atentar para ele. (SANTAELLA, 2008).
            A percepção como vimos acima, é um ato sujeito a falhas, ou seja, perceber pode ser entendido como uma inferência abdutiva, é criar hipóteses a quais podem ser testadas e a partir desses testes, essas hipóteses podem ser verdadeiras ou falsas. A percepção é caracterizada pela externalidade. É visualizar, defrontar com algo. Segundo Almeida (2009) “um fenômeno pode ser qualquer objeto da percepção, uma imagem, um acontecimento, uma cognição, qualquer coisa que seja suscetível a ser reconhecida por meio da mente.  Esse fenômeno tem aspectos naturais e mentais.
            Segundo Baranauskas, “a percepção é como um processo anterior ao pensamento crítico e controlado”. Pode-se compreende-la como um processo contínuo. Já o juízo perceptivo não é controlável, suas interpretações ocorrem de acordo como estamos preparados ou não para perceber algo.    
            Baranauskas, no seu artigo “Uma abordagem Semiótica à análise de interfaces”, aponta os seguintes pontos sobre o juízo perceptivo na visão de Peirce.
O juízo perceptivo é o ponto de partida de todo o pensamento crítico e controlado.
• Os juízos perceptivos contêm elementos gerais.
• O juízo perceptivo é resultado de um processo não controlável e não totalmente consciente.
            Assim, a ligação entre signo, juízo perceptivo e abdução contribui para tomada de decisões, criação de hipóteses, inferências e cada passo que o usuário precisa realizar quando está diante de uma tela de computador, por exemplo. Outro fator importante nessa relação é a contribuição para evitar ambiguidades durante a utilização das tecnologias. O processo de inferência abdutiva, o juízo perceptivo contribui para a tomada de decisões do usuário relacionado a algum signo que não esteja claro no momento de execução de alguma tarefa.


CONCLUSÃO

No decorrer de todo o texto, abordamos os termos que são considerados relevantes dentro dos estudos Semióticos, especialmente com base no estudos de Charles Sanders Peirce. Trouxemos algumas contribuições explicativas sobre a Ciência da Computação, Abdução. Estabelecemos um paralelo entre a Semântica, Sintaxe e Pragmatismo. E uma breve explicação sobre classificação dos signos, juízo perceptivo. Tudo relacionado à ciência da computação.
Esperamos que o texto contribua aos estudantes que estão iniciando os estudos sobre a Semiótica peirceana para que obtenham uma visão ampla em poucas palavras, postas aqui, sobre o estudo do Signo e Semiótica.

REFERENCIAS

ALMEIDA, Carlos Candido de. PEIRCE E ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO: CONTRIBUIÇÕES TEORICAS DA SEMIOTICA  E DO DO PRAGMATISMO. Tese (Doutorado em Ciencia da Informação) – faculdade de filosofia e ciências, universidade estadual paulista, 2009.

Andersen, P. B. (1997). A Theory of Computer Semiotics. Updated ed. of 1990. New York: Cambridge University

BARANAUSKAS, M. Cecília C. Uma Abordagem Semiótica à Análise de Interfaces. Instituto de Computação – IC. Cidade Universitária Zeferino Vaz, Campinas (SP).

DENTZ, René Armand. PERCEPÇÃO E GENERALIDADE EM PEIRCE. COGNITIO – ESTUDOS: revista eletrônica de filosofia, são Paulo, volume 7, numero 1, janeiro-junho,2010, pp.019-025.

EPSTEIN, Isaac O Signo. Ed. Princípio. São Paulo, 1999.

MARQUES, Mônica Bernardo Schettini. Sobre a Percepção. Cognitio/Estudos: Revista Eletrônica de Filosofia, PCU, São Paulo.  Número 1 – 2004

LEVINSON. S. BROWN, P.  Politeness. Cambridge: Cambridge University Press, 1987.

LOPES-PERNA,Cristina Becker. MOLSING, Karina Veronica.STREY, Claudia. Apresentação – Linguística Pragmática e suas interfaces. Revista Digital do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS Porto Alegre, v. 8, n. 1, p. 1-7, janeiro-junho 2015

MARQUES, Mônica Bernardo Schettini. Sobre a Percepção. Cognitio/Estudos: Revista Eletrônica de Filosofia, PCU, São Paulo.  Número 1 – 2004.

MATOS, Ecivaldo de Souza. STRAFORINI, Rafael. A EMERGÊNCIA DO DIÁLOGO ENTRE RACIOCÍNIO SEMIÓTICO ABDUTIVO E CONHECIMENTOS PRÉVIOS NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. XII CREAD MERCOSUR/SUL. CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. Rio de Janeiro / RJ / Brasil - 5 a 8 de outubro de 2008.

PEREIRA, Otaviano. O que é teoria. 7ª ed. São Paulo. Coleção Primeiros Passos, 1990.
SANTAELLA, Lúcia. O que é Semiótica. Ed. Brasiliense. Coleção primeiros passos. São Paulo, 2012.

SANTAELLA, Lúcia. Epistemologia Semiótica. Cognitio, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 93-110, jan./jun. 2008.

SPECIA, L. Modelagem de um Interpretador Lexical para a Linguagem DART.
Cascavel, 2000. Disponível em:
<http://www.nilc.icmc.usp.br/~specia/publications/MonoGrad2000-Specia.pdf > Acesso em: ago 2016.

VIEIRA, R; STRUBE, V. L.. Lingüística Computacional: princípios e aplicações. Rio
Grande do Sul, [entre 2002 e 2004]. Disponível em:
<http://www.inf.unisinos.br/~renata/laboratorio/publicacoes/jaia12-vf.pdf> Acesso em: ago 2016.
.

WIKIPÉDIA. Ciência da Computação. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia_da_computa%C3%A7%C3%A3o. Acesso em: ago 2016.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA NAS ESCOLAS MUNICIPAIS: de que forma a internet e os recursos tecnológicos podem aumentar o poder de comunicação social do aluno?


         O ensino de Língua Portuguesa - LP - deve ser um processo dialético aberto para o mundo e voltado sempre para a realidade social do aluno. Nesse sentido, Mendonça e Bunzen (apud KLEIMAN, 2005) afirmaram que “quanto mais à escola se aproxima das práticas sociais, mais o aluno poderá trazer conhecimentos relevantes das práticas que já conhece, e mais fáceis serão as adequações, adaptações e transferências que ele virá a fazer em outras situações da vida real”.
Para possibilitar essa abertura para o mundo, o ensino da Língua Pátria deve considerar o contexto sociocultural envolvendo as comunidades onde o aluno interage e depois estimular os usos frequentes da leitura e da escrita como um processo preocupado com o mundo real atendendo, assim, às necessidades das pessoas para um mundo letrado, aberto à contemporaneidade em que se vive.
           A importância das metodologias adequadas ao ensino de LP deve estabelecer relações diversas entre o que é estudado e o que é ensinado, por isso, precisamos pensar o ato de ensinar (GIL; ABRAHÃO, 2008).
O professor nesse contexto precisa estar preparado para analisar constantemente a prática de lecionar como um ato técnico, mas também ético e político. Desse modo, sua preocupação sobre o currículo selecionado somente vai atingir significativamente as necessidades de letramento do ser social e global se ele conseguir efetivar a discussão aberta para o mundo, consequentemente, interrelacionando alunos, professores e a sociedade com suas múltiplas formas de expressão, entre elas, a internet, que juntos devem ser canalizados para fazer o currículo escolar como um instrumento existencial da pessoa e não apenas um formalismo da sala de aula da escola.
     Andrade (2007. p.128) afirmou, nesse sentido, que “a formação docente constitui-se essencialmente na transmissão de conhecimentos científicos, e é preciso que tal transmissão, para que seja efetiva, não seja uma via de mão única, mas seja permeada pela voz docente, que dá a medida da recepção dos conhecimentos”.
Idealmente, o professor não pode somente ser uma caixa fechada contendo conhecimentos de livros e de teorias que ele conhece no contato com a Universidade, e que não passam adiante para o mundo do jovem e da criança. Por isso, o professor também precisa ter conhecimentos práticos, uma boa formação no sentido de saber fazer estratégias; ter habilidades.
Sem dúvida, o saber fazer vai estar acompanhado com a prática relacionada a uma teoria adquirida através da relação entre letramento e domínio da escrita acadêmica. Mas na realidade escolar, as habilidades tem aparecido menos; enquanto as capacidades teóricas do professor têm aumentado substancialmente com o ingresso na Universidade e com a realização de cursos de atualização.
Percebemos facilmente as dificuldades que os professores possuem em lidar com a língua escrita na sua diversidade social, e consequentemente com os objetos da cultura erudita e popular. Essa dificuldade é prejudicial para o aluno, pois além de ser uma forma desagradável de conhecer a língua, não confere ao aluno nem capacidade nem habilidade para coexistir e conviver com a realidade como ela é: heterogênea, complexa, onde a linguagem cotidiana absorve níveis variados de expressão.
Segundo Wilson (2008) “para muitos estudantes de Letras, dominar a variante culta da língua é um dos primeiros desafios a serem superados”. Com base na fala desse autor nota-se a acomodação dos docentes de LP em focar a utilização “pura, ou correta” da linguagem, buscando ter capacidade, erudição, assim reforçando o uso da língua formal como dominante no dia a dia deixando de fora outras formas da língua considerada como “errada”. 
          As habilidades do como fazer a prática docente da Língua Portuguesa exige o intercâmbio com os conhecimentos e o uso de tecnologias da informação mais atraentes, efetivas, e reais do cotidiano. Como bem observou Almeida (2006 p. 49), o raciocínio, o cálculo, a escrita, o arquivo, o registro, a linguagem rigorosa da ciência, a criatividade, o raciocínio espacial, são todas habilidades e técnicas colocadas em questão e que nos remetem diretamente à interdisciplinaridade.
Mas como se relaciona a interdisciplinaridade com a informática?
         Silva (2011), por exemplo, fornece-nos uma explicação para o questionamento acima. Fala sobre a emergência da cibercultura constituída por novas práticas comunicacionais, como por exemplo: e-mails, chats, listas, weblogs, jornalismo online, webcams etc. Assim entende-se a grande necessidade do professor de LP se fortalecer na prática pedagógica através das TIC’s e da interdisciplinaridade.
          Na relação da linguagem com a tecnologia da informação segundo Amora (2011) “é necessário que o receptor tenha conhecimento da língua para decifrar as mensagens que são enviadas pelos meios tecnológicos”. Assim o professor não pode apenas oferecer aos alunos o conhecimento para decifrar os códigos da língua portuguesa, mas oportunizar condições de que o mesmo interaja de forma significativa com esses tipos de textos variáveis.
           A leitura na Internet precisa ser direcionada pelo professor de LP aos alunos de forma ampla cujo objetivo é melhorar o processo de aquisição de conhecimento no mundo letrado do virtual ao real e do real ao virtual onde o acesso à informação e a produção do saber transformam-se, afinal, em competências capazes de possibilitar práticas de leituras contínuas entendidas como atividades estruturantes do conhecimento e da cultura.
De acordo com Silva (2008 p.14) “espera-se que todos os indivíduos sejam devidamente preparados para a compreensão e o manejo de todas as linguagens que servem para dinamizar ou fazer circular a cultura”.
Cada vez mais, tem-se observado no contexto escolar o uso frequente da internet e informática sob uma abordagem educacional como recurso pedagógico importante. Mas atenta-se para o fato de que a tecnologia não resolveu todos os problemas educacionais especialmente os voltados para a capacidade de leitura e escrita; e de alguma forma trouxe ao debate novas questões de (re)ver a relevância do letramento viciado pelo tecnicismo.
“Do ponto de vista textual, o tecnicismo tem um interesse especial no que diz respeito ao modo de se estruturar um texto e de nele navegar ou, em termos mais técnicos, em relação a sua coerência e coesão” (Freire, 2008 apud Koch, 1998).
Então, percebe-se no uso constante da internet influências nas formas de leitura e produção textual voltada para a rede mundial como, por exemplo: chats, messenger, e-mails, mais atualmente What’s up, que agora devem ser vistos não apenas como peças de comunicação mas como símbolos de poder de comunicação e de manifestação da presença do ser humano no mundo.
            Por outro lado, o professor precisa se libertar do tecnicismo e buscar ajuda no extremo da Humanismo, e assim alcançar uma terceira via, por exemplo, construcionista onde o professor passa a ser um mediador e incentivador da língua portuguesa como porta de entrada para a cidadania.
Ou seja, não se pode negar a importância do ensino técnica da língua, porém, essa técnica deve estar a serviço do poder de comunicação. Isso precisa ser enfatizado pelo professor ao aluno, ou seja, quem sabe mais a língua portuguesa, tem mais poder de competição, mais poder de compreensão, mais poder de adaptação ao mundo.
A inserção da web na efetivação de parte do currículo está sendo vista de modo a contemplar os demais conteúdos ministrados. Nessa direção, podem os professores e alunos on line comportar-se e agir de forma construtiva. A escola através do processo ensino-aprendizagem dentro da disciplina de LP contribui nessa perspectiva de trabalho para desenvolver leitores e escritores ativos e inseridos no mundo onde as palavras se fazem presente o tempo todo.
Nesse ponto, Almeida (2008) faz-nos uma pergunta: “como as pessoas leem na web?” A resposta dada pelo autor é que as pessoas simplesmente não leem por razões de estarem em frente a um mundo de informações, e estão desconfortáveis por estarem em frente a uma tela.
            Nesse caso, a realidade mostra a ação mecânica do professor tecnicista e ortodoxo não traz um avanço existencialista para o jovem no século XXI. Segundo Galli (2010 p. 148) a internet tem se tornado um dos meios de difusão de mensagens mais acessíveis e, desse modo, sua linguagem também se propagou e se tornou globalizada. Por isso, considera-se hoje essencial o uso da internet no campo educacional especialmente no ensino da LP, pois o uso da língua de forma dinâmica se faz presente em todas as esferas sociais.
Ainda segundo Marcushi (2010) “todos os gêneros textuais eletrônicos provocam polêmicas quanto à natureza e proporção de seu impacto na linguagem e na vida social”. Percebe-se mediante a exposição desse autor a grande necessidade do professor deixar a ação mecânica ou tecnicista da língua e da máquina, e abrir-se para a cultura digital e tecnológica, assim, abandonar técnicas gramaticais e conceitos fechados para o mundo, pois os ambientes virtuais que se fazem presente na vida desses profissionais e dos discentes são extremamente versáteis, comunicativos, abertos.
            Falta em tudo isso uma discussão existencialista profunda sobre a prática do professor, pois ele geralmente está “ausente” do grande mundo. Segundo Pelandré (2008 p. 244) “professores dizem pelos seus discursos entender as propostas para o ensino de língua portuguesa, baseado na concepção sociocultural e enunciativa da linguagem”.   
Vários autores consideram, nessa perspectiva existencialista, que é possível ligar o real ao ideal e vice-versa no ensino de LP relacionado ao uso da rede mundial, observando as seguintes questões estratégicas:

Transformação Cultural. É preciso estabelecer mudanças de atitudes relacionadas ao uso das tecnologias da comunicação e da informação voltadas para o processo ensino-aprendizagem. Os alunos podem e devem adquirir uma consciência de como utilizar todos os recursos tecnológicos voltados para a aquisição da produção de leitura e escrita assim fazendo parte do mundo letrado para contribuir de forma significativa na expansão da cultura. O trabalho intelectual passa a adquirir outros contornos, e a escola passa a ser obrigada a assumir outro papel. Já não pode ser repassadora física de informações, por uma razão muito simples: essas informações já estão disponíveis nos meios eletrônicos de comunicação e são passados de forma até mais eficiente. Cabe à escola, nesse novo contexto, trabalhar outros elementos, “sobretudo a ética de acesso a essas informações, o seu significado político, a sua importância existencialista para o progresso da humanidade” (ver, por exemplo, PRETO, 2008, p.142).

Conhecimento voltado para “saber” utilizar, ou seja, desenvolver habilidades. O professor precisa estar constantemente lendo, refletindo, analisando sobre sua prática pedagógica, buscando meios, recursos para adaptar-se as mudanças sobre as novas formas de ensino envolvidas na relação do ensino com a internet, por exemplo, vídeos aulas, chats, sites, jogos, redes sociais dentre outras. De acordo com Freire (2011, p. 52) “o conhecimento exige reflexão (tempo e maturação) e seleção (critério, crítica)”. Com isso, percebe-se a necessidade real do professor em “saber fazer” a sua prática pedagógica voltada para o papel social ideal da escola.

Baseado nos autores citados, percebe-se que no debate da formação do professor aparecem os seguintes pontos críticos:

Necessidade. O professor precisa saber interpretar símbolos, significados, até mesmo as metodologias para compreender e entender o significado. “O sentindo de um texto não existe a priori, mas é construído na interação sujeitos-texto e para a produção de sentido, necessário se faz levar em conta o contexto” (KOCH, 2011, p. 57). Significa considerar então o contexto no processo de leitura e a produção de sentido como algo muito importante para que o professor de LP entenda e interprete o seu fazer e atinja seus objetivos pautados em uma educação voltada para a inserção dos alunos no mundo letrado sendo ele virtual e real.

Possibilidades. Pensar nas possibilidades de melhoria significa a esperança de mudanças que são possíveis através de debates, estudos, pesquisas para compreensão dos diferentes modos de utilização da linguagem. Por exemplo, Amaral (2008, p. 45) afirma “é necessário refletir sobre como “isso” está ocorrendo; quais os critérios que orientam a aquisição dessas novas linguagens, além de verificar a construção de novas redes semânticas entre conteúdos e significados disponibilizados”.

Realidade.  Autores como Passarelli (2008, p.221) afirmam que “é preciso conceber a linguagem não só como forma de interação, mas como processo interacional entre os sujeitos que utilizam a língua em suas variedades para se comunicar, para exteriorizar pensamentos, informações, e, para realizar ações com o outro, sobre o outro”. Portanto pensar a realidade, analisá-la e interpretá-la são importantes pela necessidade de se entender como ocorrem as diversas formas de interação entre os usuários da LP e as ações que um exerce sobre outro e assim, depois, pensarmos como a rede mundial de internet tem influenciada a exteriorização dos pensamentos em seus diversos tipos.

Idealidade. Qual a forma ideal para o professor de LP ministrar as aulas e contribuir aos alunos condições básicas de aproveitamento no campo da leitura e escrita? Como deve ser o comportamento e as tomadas de atitudes desses frente ao grande número de informações, de textos de gêneros diversos em situações reais na vida e no campo virtual pelo acesso a rede mundial de computadores?

Alternatividade. Acredita-se que há inúmeras alternativas para buscar melhorias no ensino de LP. Por exemplo: Formação Adequada, Identidade Profissional, Relação com as TIC’s, Comunicação e Socialização, Autoridade em Sala de Aula, Visão Pedagógica, etc. No que se refere à Formação percebe-se a grande necessidade do professor ingressante ser capaz de articular conhecimentos de interface com a educação, fazer ações de inclusão e de valorização da diversidade e singularidade, elaborar planejamento orientado a processos de construção do conhecimento, metodologias e recursos pertinentes aos objetivos do trabalho pedagógico e aplicar procedimentos avaliativos que reorientem a prática educacional. Nesse conjunto a construção da identidade profissional contribuirá para a versatilidade e capacidade da realização de um trabalho competente.
            Concluindo, queremos dizer que a relação com as TIC’s é um fator essencial no ensino de LP voltada para as redes sociais, e uso dos recursos tecnológicos a serviço de uma ampliação da comunicação, socialização e educação. Tudo isso trabalhado com a “Autoridade em Sala de Aula” pode avançar a cada etapa através de competências acadêmicas na construção do conhecimento oferecendo e inserindo o aluno dentro da sociedade tomada pela informação e o mesmo fazendo emprego constante e ativo das diversas formas de linguagens, onde capacidade e habilidade precisam estar integradas.

REFERÊNCIAS

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ALMEIDA, Rubens Queiroz de. O leitor-navegador (I).  A leitura nos oceanos da internet. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2008.
AMARAL, Sergio Ferreira do. Internet: novos valores e novos comportamentos. Ezequiel Theodoro da Silva (org.). Leitura no mundo virtual: alguns problemas. A leitura nos oceanos da internet. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2008.
AMORA, Dimmi. Professor, você está preparado para ser dono de um meio de comunicação de massa? Tecnologia e Educação: as mídias da prática docente. Wendel Freire (org.) 2. ed. Rio de Janeiro: Wak Ed., 2011.
ANDRADE, Ludmila Thomé de. Que linguagem falar na formação docente de professores de língua? Teoria e práticas de letramento. Org.: Lia Scholze. Tania M. K. Rösing. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2007.
FREIRE, Fernanda M. P. A palavra (re)escrita e (re)lida via internet. A leitura nos oceanos da internet. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2008.
FREIRE, Wendel. Mídia-Educação: Reflexões e prática de um terceiro espaço. Tecnologia e educação: as mídias na prática docente. Wendel Freire (org.). 2. ed. Rio de Janeiro: Wak Ed., 2011)
GALLI, Fernanda Correa Silveira. Linguagem da Internet: um meio de comunicação global. Hipertextos e gêneros textuais: novas formas de construção de sentido. Luiz Antonio Marcushi, Antonio Carlos Xavier, (orgs.). 3 ed. São Paulo: Cortez, 2010.
GIL. Glória. ABRAHÃO, Maria Helena Vieira. Educação de professores de línguas – os desafios do formador. Campinas, SP: Pontes Editores, 2008.
KOCH, Ingedore Villaça. Ler e compreender: os sentidos do texto. 3. ed.. 5º reimpressão. São Paulo: Contexto, 2011.
MARCUSHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital. Hipertextos e gêneros textuais: novas formas de construção de sentido. Luiz Antonio Marcushi, Antonio Carlos Xavier, (orgs.). 3 ed. São Paulo: Cortez, 2010.
MENDONÇA, Márica. BRUNZEN, Clecio. (Org.). Português no ensino médio e formação do professor. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.
PASSARELLI, Lilian Ghiuro. Da formação inicial à formação continuada: reflexões a partir da experiência da PUCSP. Glória Gil e Maria Helena Vieira Abrahão (orgs.). Educação de professores de línguas – os desafios do formador. Campinas, SP: Pontes Editores, 2008.
PELANDRÉ, Nilcéa Lemos. Compreendendo a formação de professores numa perspectiva dialógica. Org.: Glória Gil e Maria Helena Vieira Abrahão. Educação de professores de línguas – os desafios do formador. Campinas, SP: Pontes Editores, 2008.
PRETO, Nelson De Luca. Escritos sobre educação, comunicação e cultura. Campinas, SP: Papirus, 2008.
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WILSON, Victoria. O discurso científico e a formação do professor. Org.: Glória Gil e Maria Helena Vieira Abrahão. Educação de professores de línguas – os desafios do formador. Campinas, SP: Pontes Editores, 2008.